Pelos idos de abril, ou maio, a Tcheca começou a orbitar na minha cabeça, não só movida por gosto, como por resposta àqueles que impõem dificuldades extras à produção do estilo. Convidei então o Edu Passarelli a compartilhar comigo desse sonho, e juntos passamos a pensar como poderíamos realizá-lo, já objetivando ter a cerveja pronta no evento de agosto das ACervAs.
Chegamos à Bamberg, que de imediato aderiu à idéia e passou a sonhar conosco. O Alexandre, proprietário da microcervejaria, assim como nós é um apaixonado por cervejas, e faz da sua cervejaria um forte na proteção da qualidade, tanto pelo uso de matérias primas da melhor qualidade, como maltes alemães da Weyermann, como pelo resgate de estilos esquecidos, tais como o altbier, bock, münchen, entre outros. Não foi à toa que recentemente o caderno Paladar, do Estadão, em teste cego contando com especialistas, elegeu a pilsen da Bamberg como a melhor dentre as pilsens das micros comercializadas no Brasil.
O segundo passo para tornar o sonho realidade foi encontrar uma levedura que permitisse a maior fidelidade possível ao estilo. E conseguimos. Aproveitando uma amiga que voltava da Alemanha, pedi -lhe que trouxesse uns fermentinhos. Como não saco nada de alemão, fiz pela internet as compras numa loja da Bélgica (em inglês), solicitando que entregassem 3 pacotinhos de fermento líquido da Urquell na casa da minha amiga, em Bonn. Em dois dias os fermentos estavam com ela, e em sete chegaram às minhas mãos. Desgastados com a viagem, assim que os peguei tratei de propagá-los (mesmo se todos vivos, os 3 pacotinhos de fermento dariam apenas para uma produção de 60 litros, e faríamos nada menos que 1000 litros). A propagação correu às mil maravilhas e merece um post à parte para narrar toda via crucis, do Rio até Votorantin-SP, onde fica a Bamberg.
No dia 11 de julho, então, Eu, Tati, Edu e Carol partimos de São Paulo com destino à Bamberg, onde encontraríamos o Alexandre e a Janaína para pormos a mão na massa, não, nos maltes, e às 11 da manhã iniciávamos a produção da Tcheca.
A produção ocorreu do início ao fim conforme desejado, e todos juntos desfrutamos de um maravilhoso dia da criação.
Ainda sem fermentar, o mosto já estava esplêndido. Sua cor, aroma, corpo e sabor nos deixaram super otimistas quanto ao resultado, e nos criaram uma expectativa descomunal.
Enfim, passados 12 dias da brassagem, hoje, 23 de julho, terminou a fermentação, e foi ela posta a maturar. Com carinhos diários do Alexandre, e ouvindo boa música, então, até o final de agosto nos manteremos na espera, com calma budista, ou tcheca às antigas, numa maturação bem mais longa que a média das empregues nas pilsens da modernidade.
Basta-nos aguardar, apenas, e no final de agosto, ou início de setembro já teremos a Tcheca engarrafada.
Um brinde à Tcheca,
Botto, Edu e Bamberg
Muito Lúpulo!!!
Adição de lúpulo pelas primeiras-damas da Tcheca!
O Mosto antes da fermentação
1 comentários:
Devo confessar que quando o Botto chegou com dois galões de água de 10L com um liquido marrom dentro e me disse que aquele era o fermento e que tinha vindo de onibus com ele desde o Rio, eu pensei isso não vai dar certo, com a inoculação no tanque passei algumas noites sem dormir pensando no que estava acontecendo la dentro, mas hoje da para ver (e beber) que valeu a pena a cerveja vem ficando fantástica.
Alexandre
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